NOTÁVEIS DA NOSSA TERRA


POETISA

Arlete Argente Guerreiro (1905-1940)

Perseguida por sucessivos problemas de saúde ao longo da vida, a poetisa e contista sineense nunca abandonou o tom humorado e idealista.

Arlete Argente Guerreiro, “Argentinita” para os mais próximos, nasce no número 54 da Rua Teófilo de Braga, em Sines, no dia 1 de janeiro de 1905, filha de Manuel João Guerreiro, operário corticeiro e comerciante, e de Clotilde Argente Guerreiro.

 É uma criança doente. Chega à idade escolar com graves problemas na visão e na fala, mas, apesar das limitações físicas, revela-se uma excelente aluna, com predileção pela área das letras. A professora Emília Mendes da Silva, animada pela sua precocidade intelectual, acompanha-a de perto.

 A saúde volta, porém, a traí-la na altura de ingressar no liceu. Não pode matricular-se no Liceu Normal, em Lisboa, o que a impede de cumprir o sonho de frequentar o curso do magistério.

 Em plena adolescência, embora a visão melhore, fica praticamente surda.

 As sucessivas fatalidades físicas não a impedem, no entanto, de estudar, aproveitando os conhecimentos adquiridos para se dedicar à literatura.

Em 1933, começa a publicar textos em dezenas de suplementos literários de jornais de todo o país, onde ganha admiradores e faz amizade com figuras como Aníbal Mendes, A. Garibaldi e Alsácia Fontes Machado.

 É decisiva na sua formação e acompanhamento a influência da escritora Aurélia Borges (a responsável pela primeira edição da obra de Florbela Espanca), com quem se corresponde e que se torna a sua grande mentora.

 Em 1937, porém, a saúde de Arlete Argente Guerreiro degrada-se de forma irreversível. Passa os últimos anos da sua vida na cama.


ARTES 

Vicente Alves do Ó

VicenteAlves

Nasceu em 1972. Há quinze anos que o seu trabalho se divide entre o cinema, o teatro e a literatura. Depois de assinar vários argumentos para realizadores portugueses, estreou-se como realizador de cinema em 2011 com o filme “Quinze Pontos na Alma”.

Em 2012 lançou o seu segundo filme “Florbela”; êxito de bilheteira, vencedor de vários prémios nacionais e internacionais e estreou-se no romance com “Marilyn à beira-mar” uma biografia romanceada da história de amor dos pais. Em 2013 encenou “A Voz Humana” no Teatro da Trindade, inserido nas Comemorações Internacionais do 50º aniversário da morte de Jean Cocteau. “Florbela “ é o segundo romance e actualmente prepara o terceiro filme “Al berto, as mãos nunca mentem” – o segundo duma trilogia de filmes sobre poetas portugueses.

“A Voz Humana”

A Vox Humana

“Florbela “
florbela

“Marilyn à beira-mar”
M


 FUTEBOLISTA

João Martins (1927-1993)

João Baptista Martins nasce em Sines no dia 3 de setembro de 1927.

 

João Martins

 

João Martins

João Martins, o “sexto violino” como ficou conhecido por ser durante muitos anos suplente do quinteto, pertence ao lote de jogadores que tiveram sobre os ombros a difícil, para não dizer impossível, tarefa de substituir Peyroteo, o maior goleador da história do Sporting e futebol português, sendo de todos eles o mais bem sucedido. Vários craques foram recrutados mas foi Martins que melhor deu conta do recado, marcando mais de 165 golos no Sporting.

Martins era um jogador evoluído técnica e taticamente, caso contrario nunca alcançaria tão brilhantes resultados, mas ao contrário dos seus companheiros mais dotados, lembramos que foi companheiro de equipa dos 5 violinos, não debutava talento por todos os lados, mas tinha na sua inesgotável vontade, espírito de luta e principalmente no enorme amor pelo Sporting as suas principais armas, que fizeram de um bom jogador, um jogador fantástico.

Além de todos os títulos coletivos e individuais alcançados, Martins ficará para sempre com o seu nome ligado há história da liga dos Campeões, como autor do primeiro golo e primeiro bis da prova. Martins foi sempre um jogador leal, e os mais de 400 jogos sem uma única sanção disciplinar atestam o seu brio e correção dentro de campo.Joao M

Curiosidade:

João Martins foi durante algumas épocas o suplente dos 5 violinos, sendo uma espécie de tapa buracos visto que jogava em qualquer posição do ataque. Só mais tarde, com o desfazer gradual do quinteto maravilha, Martins assumiria um papel mais preponderante, de tal modo que chegaria a marcar mais de 160 golos pelo Sporting.

Títulos:

5 Campeonatos Nacionais (1950/51, 1951/52, 1952/53, 1953/54 e 1957/58); 1 Taça de Portugal (1953/54)

Feitos:

Autor do primeiro golo da história da Liga dos Campeões;

Primeiro jogador a bisar na Liga dos Campeões.

No dia 16 de novembro de 1993, com 66 anos, morre, por insuficiência cardíaca. O seu corpo  é sepultado em Sines.

Em 25 de abril de 2008, passa a dar nome ao Parque Desportivo Municipal João Martins, situado em Sines.


 POETA

AL BERTO

Nascido no seio de uma família da alta burguesia (origem inglesa por parte da avó paterna). Um ano depois foi viver para o Alentejo. O pai morre cedo, num desastre de viação. Em Sines passa toda a infância e adolescência, até que a família decide enviá-lo para o estabelecimento de ensino artístico Escola António Arroio, em Lisboa.

A 14 de abril de 1967, refratário militar, foi viver para a Bélgica, onde estudou pintura na École Nationale Supérieure d’Architecture et des Arts Visuels (La Cambre), em Bruxelas. Após concluir o curso, decide abandonar a pintura em 1971 e dedicar-se exclusivamente à escrita. Durante esse período viveu numa comunidade de artistas hippies e, na sequência de uma ligação com uma rapariga belga, teria sido pai de uma criança. Regressa a Portugal a 17 de novembro de 1974 e escreve o primeiro livro inteiramente na língua portuguesa, À Procura do Vento num Jardim d’Agosto.O Medo, uma antologia do seu trabalho desde 1974 a 1986, é editado pela primeira vez em 1987. Este veio a tornar-se no trabalho mais importante da sua obra e o seu definitivo testemunho artístico, sendo adicionados em posteriores edições novos escritos do autor, mesmo após a sua morte. Deixou ainda textos incompletos para uma ópera, para um livro de fotografia sobre Portugal e uma «falsa autobiografia», como o próprio autor a intitulava.

Al Berto morreu em Lisboa, a 13 de Junho de 1997, de linfoma, aos 49 anos.

Em 2009 a Companhia de Teatro O Bando estreia no Teatro Nacional Dona Maria II, em Lisboa, um espetáculo intitulado A Noite a partir de LunárioTrês cartas da memória das ÍndiasApresentação da noiteO MedoÀ procura do vento num jardim d’Agosto e Dispersos. O espetáculo foi encenado por João Brites e interpretado por Ana Lúcia Palminha e Pedro Gil. Além de Lisboa, o espetáculo esteve ainda no Teatro da Cerca de São Bernardo em Coimbra e no espaço d’O Bando.

 

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